Quinta-feira, 16 de Novembro de 2006

Aos papéis

 

Dê lá para onde der, venha o que vier
não me iludam
A vida há-de ser qualquer coisa
maior que esta coisa assim
Maior que este andar a correr,
Sem parar, sem destino
Distante de tudo, ausente de mim

Maior e bem melhor e mais serena
Do que esta coisa pouca e tão pequena

Andar a correr sem ter norte,
Sem rumo, sem história
Mais que esta embriaguez ou este desvario
De querer a todo custo fama e glória

Por força ela há-de ter

Lá no fundo, outro mundo
Dias bem menos cruéis
Que esta dança meia fandanga
De andar para aqui aos papéis

Esta coisa nem é vida
Andar para aqui aos papéis!

E há que jogar para ganhar
ou perder, jogar tudo
Para viver também acho
que há que fazer pela vida

Maior e bem melhor e mais serena
Por força ela há-de ter...

 

 

(in, André Sardet...Acústico)

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publicado por picarota310172 às 17:31
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Terça-feira, 14 de Novembro de 2006

Cores do meu sentir

Dias há em que tudo parece ser em vão...

Noutros, sente-se uma alegria crescente, por pensar que tudo tem uma razão de ser e que nada acontece por acaso.

Cruzam-se sentimentos, cozinham-se ideais, costuram-se vontades...

Ás vezes olho para o espelho da minha alma e sinto-me a murchar...

Sinto-me vencida pelo cansaço...

Ás vezes sinto-me morrer, lentamente, corroída pelos desejos ocultos, pelas histórias inacabadas, pelas vivências penosas representadas num palco sem luz para uma plateia sem voz...

Outras vezes, quando olho à minha volta, tenho vontade de gritar, de subir à minha montanha e erguer a bandeira do meu sucesso, este que eu consegui sendo quem sou, construindo, aos poucos, o meu pequeno mundo...onde me sinto segura e plena de alegria e paz.

Nestes dias sei que consigo tudo, tudo o que eu quizer, independentemente dos obstáculos que se erguem à minha volta.

Nada me detém...ganho forças e tudo se pinta de cores alegres e fortes...

E lá vou eu de novo, a tentar reconstruir aquele bocadinho de mundo que desmoronou da última vez em que a esperança me abandonou.

Durante algum tempo, é assim...mas depois voltam as sombras, o cansaço, a sensação de perda, o desânimo...

Muitas vezes, na maioria das vezes, sem nenhuma razão aparente...

Acordo triste, apática, sem projectos, sem ideais, sem vontade de viver...

São dias difíceis de acabar, estes, em que me sinto assim. Mas sempre acabam, e outro dia começa logo a seguir.

Tenho saudades do meu Pai...há quase quatro anos que ele se foi e a saudade parece ser cada vez maior.

Não consigo arrancar esta dor de dentro de mim...queria lembrar-me dele sem sofrer, lembrar-me apenas do seu sorriso, da sua voz, do seu cheiro...

E o Natal está a chegar...e a saudade ainda aperta mais!

Há um lugar vazio...que jamais será preenchido, porque era o dele...

É um buraco no meu coração, que tento fechar com as memórias dele, contando as histórias que ele me contava, falando dele a todo o instante com quem também o conheceu e o amava.

Por isso, e não me levem a mal por eu estar continuamente a falar do meu Pai, este blog é muito em parte dedicado a ele, que me deu a vida e que eu tanto amava.

Faz-me bem escrever aqui o que sinto, é como se de uma terapia se tratasse.

Hoje a cor é o cinza...amanhã...não sei, poderá ser amarelo, vermelho ou azul...

Só saberei quando acordar.

Amanhã será um novo dia.

Bem hajam!

 

 

 

 

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publicado por picarota310172 às 01:00
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Sábado, 11 de Novembro de 2006

As minhas princesinhas

Deus dá-nos a vida, nós retribuímos criando outras.

   

                                                                  Este é o meu

contributo!!

Bem conseguido, não acham?!!

sinto-me:
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publicado por picarota310172 às 01:55
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A viagem...

A família é-nos imposta...

Os amigos, escolhemos nós...é isso que os torna tão especiais!

Adoro-te minha amiga! Obrigado por todos os momentos da nossa vida...

És o meu "pé de caldeirão"  

Vai com Deus e volta intacta...cá estarei para te receber!

Ah fadista!!!

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publicado por picarota310172 às 01:40
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Mais histórias de sempre

Havia, lá na vizinhança, um casal...de péssimas relações, devo dizer!

Discutiam tanta e de tal forma, que não era preciso aguçar os ouvidos para saber qual o tema da discussão do dia.

A mulher, tinhosa de ruim que era, barafustava com tal veemênia que parecia ser vítima de todos os males deste mundo (e do outro!!).

Um dia houve em que, após longa e tumultuosa discussão, a mulher disse:

"Vou matar-me!!Vou deitar-me ao mar, não posso aturar mais isto!!"

Chovia muito nesse dia...o vento soprava com tanta força que era quase impossível andar na rua.

Ela, declarado o seu intento de por um terminus à sua vida, calçou as galochas, vestiu o sobretudo e agarrou no guarda-chuva, despedindo-se do marido e dos filhos:

"Adeus, não mais voltarão a ver-me!"

Lágrimas, gritos, sofrimento...por parte dos filhos, porque o marido, esse, mantinha-se impávido e sereno na sua poltrona contemplando o horizonte cinzento e ameaçador.

E a mulher saíu porta fora, olhando para trás de soslaio, a ver se alguém a tentava impedir.

Os miúdos gritavam, inocentes das artimanhas que a vida nos ensina a emoldurar quando queremos chamar a tenção de alguém...

"Pai!!!Pai, a mãe vai morrer..."

E o homem sorria...olhava o horizonte, e sorria.

"Pai..."

"Acalmem-se meus filhos...a vossa mãe não vai morrer."

"Mas ela disse..."

"Sim, disse que ia atirar-se ao mar, certo?"

"Sim..."

"Então...quem vai atirar-se ao mar não tem a preocupação de calçar as galochas para não molhar os pés, nem de vestir o sobretudo para não molhar o corpo, nem tão pouco de levar o guarda chuva para que não se molhem os cabelos..."

Tipo esperto, hein?!

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publicado por picarota310172 às 01:21
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Sexta-feira, 10 de Novembro de 2006

Acreditar

Em quê?

Anjos? Demónios?

Acreditar no destino ou no simples desenrolar da vida?

Acreditar que somos nós que traçamos os nossos passos ou que eles estão traçados à partida?

Incógnitamente inconclusivo...

A certa altura pensei ser dona do meu próprio destino.

Era jovem, rebelde, fazia simplesmente o que me vinha à cabeça.

Depois, arduamente, percebi que nem sempre pode ser como queremos ou como sonhamos.

Existe alguma coisa que nos coordena...será?!

Estaremos nós predestinados a um certo e determinado tipo de coisas, de imediato, assim que nascemos?

Os acontecimentos que determinam a nossa vida...serão premeditados? Ou simplesmente fruto da nossa inconsequência?

Travei longas batalhas contra o meu destino...atravessei mares, galguei montanhas, sobrevivi a violentas tempestades...e cheguei aqui!

E aqui é hoje, neste tempo e nesta memória...tempo de mudanças, de lembranças...tempo de querer, de poder, de desejar ir além do ser e do estar...

Olho para trás e vejo uma longa e sinuosa estrada, sucalcos e vinhedos ultrapassados, muros derrubados e paredes erguidas com suor e cansaço...

Lágrimas...de tristeza e de alegria.

Risos...de desdém ou de vitória, de conquista ou de derrota ignóbil de quem perde mas sempre alcança...

Sou alguém que quis e procurou ter.

Acreditei que um dia poderia alcançar...e lutei! Lutei com todas as minhas forças para estar lá, além, naquele tempo e naquele espaço onde se ri e se canta, se festeja e se abraça...

Sei que alguém, em algum tempo ou algum espaço, pensa assim e me acredita.

Difícil...tudo tem sido difícil.

O ontem, o hoje...o amanhã?!

As coisas e as pessoas em conluio para que nada seja fácil...nada nunca é fácill!

Luta após luta, batalha após batalha...conquistei terreno, aos poucos, lenta e graciosamente...

E hoje, estou aqui...

Não tenho muito, mas sou eu!!

Uma pessoa melhor, fruto das amarguras de uma vida difícil e dominadora.

Tenho tanto...e no entanto, tão pouco!

Olho ao meu redor, e sinto-me previligiada.

Quantos dariam a vida para ter isto que tenho?

Tantos...tantos.

Quando era menina, (sonhadora!) costumava olhar o céu e pedir...queria ser bailarina!

Tinha uns sapatinhos de sola de madeira (umas socas!) e punha-me em bicos de pés...fazia piruetas e dançava ao som de uma música que ninguém ouvia senão eu...

Um dia fui a casa de uma vizinha com a minha mãe (a vizinha era costureira e a minha mãe queria fazer-me um vestidinho para o Natal...). A vizinha tinha uma cadela, a Chincha!

Maldito bicho (que Deus me perdoe porque eu até gosto muito de cães), fez com que o meu sonho caísse por terra.

Chegámos lá e eu levava as minhas socas de sola de madeira (éramos inseparáveis!).

E qual menina sonhadora, e para que a vizinha costureira pudesse admirar as minhas habilidades, pus-me em bicos de pés a fazer as piruetas tão bem ensaiadas a pensar no meu primeiro espectáculo em público!

E não é que pisei o rabo da desgraçada da cadela?!

Pois foi...Mordeu-me, com todos os seus dentes!

Achei um desaforo e um insulto ao meu talento...

Não sei bem porquê, mas a partir daquele dia, já não me apetecia tanto ser bailarina.

Depois quis ser outra coisa, já não me lembro bem o quê...

E durante o percurso da minha ainda jovem vida, tenho encarnado vários papéis diferentes.

Alguns deles desempenhados com a maior performance, outros com menor veemência, mas em suma devo ter feito um bom trabalho...

Trouxe ao mundo duas lindas filhas, uma com idade suficiente para saber que tem um sonho e que o quer seguir, e outra que só agora começou a dar os primeiros passos...mas são passos firmes e decididos.

Tenho poucos amigos, mas os que tenho são-me leais e confortadores...não me abandonarão em alturas difíceis e as fáceis são partilhadas em conjunto.

Tenho alguém ao meu lado que me compreende e me apoia como ninguém...

Acredito...que sou previligiada!

Não concretizei todos os meus sonhos...mas ainda não morri!

Estou viva!! Sou forte!! Tenho amor!! Tenho amigos!!

Querer mais?!

Queremos sempre mais...

E o importante é acreditar!

Tudo é possível, tudo se consegue, tudo se alcança...

Basta acreditar!

Um dia acreditei que seria completa...

Ainda não o consegui...mas ACREDITO que estou no bom caminho!

Bem hajam...  

 

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publicado por picarota310172 às 00:33
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Domingo, 5 de Novembro de 2006

A montanha

De todas as coisas fascinantes, esta montanha (a minha!) é de facto aquela que continua a prender-me o olhar...sempre!!

O magnetismo, a magia...é preciso ver para sentir!

Love U Pico!!!

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publicado por picarota310172 às 22:50
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Sábado, 4 de Novembro de 2006

Era uma vez...

Era uma vez uma menina...

Uma menina como tantas outras, com uma casa, uma família, alguns amiguinhos...e um sorriso triste.

Tinha uns olhos azuis grandes e expessivos, ensombrados pela angústia e pelo sofrimento.

Viviam-se dias de amargura, em casa da menina. Os pais zangavam-se com cada vez mais frequência e a separação era iminente.

Naquela dia, ao chegar da escola, encontrou a sua mãe a chorar, como já acontecera antes, mas daquela vez o choro prenunciava algo diferente, terrivelmente diferente.

Havia chegado o dia. Iam partir.

As malas estavam feitas, jogadas a um canto, dolorosamente jogadas a um canto.

"Mãe..."

Não houve resposta...só lágrimas.

A menina tremia...de medo, de agonia...queria gritar, debater-se contra tudo o que se passava dentro dela...

Sentimentos contraditórios, dor, desespero...

Um carro...uma chave na porta...

"Pai..."

Mais lágrimas.

E o momento final...a partida.

Olhou para trás e viu o pai a chorar, deitado na cama...

Essa imagem iria acompanhá-la para o resto dos seus dias.

E nos anos que se seguiram, a menina aprendeu, penosamente, a lidar com a situação.

A escola, a mãe e as irmãs...durante a semana.

Ao fim de semana, passeios com o pai.

Um dia o pai e a menina tiveram uma discussão...uma grande discussão. E cortaram relações.

A menina chorou, o pai chorou, mas de tão iguais que eram, foram impedidos pelo orgulho que lhes era comum de se aproximarem um do outro.

E assim se passou um ano. Um ano desperdiçado que tanto iria lembrar mais tarde.

A certa altura uma tia da menina, irmã do pai, morreu. A sua irmã mais querida e a mais querida das tias da menina.

"O pai está a sofrer..."

Posto de lado o orgulho que lhe feria a alma, ela bateu à porta da casa do pai, a casa que a vira crescer, palco de tantas alegrias e de tanto sofrimento.

E ele veio abrir...o rosto contraído pela perda...os olhos brilhantes pelo reencontro...

"Minha querida filha!..."

"Pai..."

E o abraço...o conforto daqueles braços fortes.

O cheirinho a madeira que trazia na roupa (fruto da profissão de carpinteiro que tão bem exercia).

Choraram e riram, e choraram mais e voltaram a rir.

Juraram nunca mais se afastar.

Passado algum tempo a menina voltou para casa do pai, desta vez na companhia da mãe.

E aí ficaram.

Não posso dizer "viveram felizes para sempre". Mas foram, a certa altura, felizes.

Anos mais tarde o pai partiu. Para nunca mais voltar.

Hoje, a menina, que é uma mulher, lembra-o com amor e carinho, pelas coisas boas e por tudo o que ele lhe deu.

E ele vive, para sempre, num cantinho do seu coração.

 

 

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publicado por picarota310172 às 21:21
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