Domingo, 22 de Outubro de 2006

Espírito inquieto...

Tenho a alma vazia...fui tomada pela inércia...

Lá fora está cinzento, a chuva cai triste e compassadamente, trazendo-nos à memória o frio do outono e os dias intermináveis de tempestade.O mar pôs-se negro e carrancudo...

É Domingo,um dia como tantos outros: nada para fazer, lugar nenhum para ir.

Monotonia rotineira de quem vive numa ilha.

Adormeço...e lentamente sou transportada para outro lugar, outra dimensão; um mundo onde não há dor, nem desilusão, nem sofrimento...

Há cor e música por todo o lado e o vento canta doces melodias às flores que balançam alegremente ao ritmo das suas canções.

O mar vestiu-se de um azul tão celeste que me faz pensar que ele e o céu combinaram as cores dos seus vastos mantos para me acolherem de forma ainda mais harmoniosa...

Lá ao longe vejo um vulto que se aproxima...caminha lentamente para mim e parece conhecer-me, porque se mostra determinado na sua rota.

Tenho os olhos semicerrados pela luz do sol e o cheiro da terra quente impede que raciocine com clareza...

Há uma névoa dourada em torno daquele ser, algo que me perturba e me deixa inquieta e insegura...o que será?...

Penso que poderá ser um anjo, o meu anjo da guarda, que me vem dizer que estou a sonhar...que está tudo bem... é apenas um sonho.

Mas ao aproximar-se mais verifico que não se trata de um anjo. É um homem, anda como um homem, com passos longos e determinados que eu  em tempos seguia com admiração.

Sinto a minha boca abrir-se de perplexidade e dela oiço sair um som, um sussurro..."Pai..."

E uma lágrima queima-me o rosto, de saudade contida e dor causada pela brusca separação

"Pai, és tu?"

Mas ele não fala. Estende-me simplesmente a mão, aquelas mãos que eu tantas vezes acariciei, aquelas mãos que me guiaram ao longo do meu caminho, que me ampararam quando alguém ou alguma coisa me fez cair...que lindas eram as suas mãos...

Corro para ele, mas curiosamente não saio do mesmo lugar.

Ele sorri para mim, com aquele sorriso que me transmitia tanta paz... e finalmente ouço-o falar. Diz-me que está bem e que já não volta mais. Mas não quer ver-me triste nem a chorar, porque estará sempre comigo, nos meus sonhos e no meu coração.

"Pai, não vás!"

Mas já ele se afastava, tão lentamente quanto tinha chegado e com a mesma névoa dourada em seu redor.

Fico fraca, frustrada pela pequenez do momento, mas feliz por revê-lo, por poder ouvir de novo a sua voz.

Novamente uma lágrima que cai, não sei se é de tristeza ou de felicidade...sinto-me vazia e com o coração apertado.

Quero acordar, sair dali!

Tenho frio...de repente o céu ficou escuro, a chuva ameaça cair a qualquer instante, o mar está escuro e agita-se ferozmente...

As flores murcharam e o sol desapareceu...já não há cor, nem música...só o cinzento triste daquele Domingo, um dia igual a tantos outros...

Nada para fazer... Lugar nenhum para ir...

Apenas mais um dia da minha vida.

 

sinto-me:
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publicado por picarota310172 às 18:26
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