Sexta-feira, 24 de Novembro de 2006

Destinos traçados

 

Há quem acredite que o destino está traçado desde que nascemos...há quem afirme que não.

Eu pessoalmente, acredito que sim.

E acredito porque em várias ocasiões da minha vida me têm sido dadas provas de que não podemos fugir ao que nos está predestinado.

A minha vida, hoje, é preenchida por diversos factores: um lar, um marido, duas filhotas, alguns amigos (poucos, mas bons)...

Mas se recuar alguns anos, não muitos, e mudar UM, um único acontecimento, tudo muda de figura, tudo hoje seria diferente.

Acredito também que, por vezes, podemos "dar a volta" e fazer com que determinada coisa ou acontecimento, seja alterado, ou que tenha um desfecho diferente...mas a consequência desse acto será sempre a mesma.

E passo a relatar um episódio da minha vida, um tanto doloroso, devo dizer...mais uma vez vou falar-vos do meu Pai.

O meu Pai era uma pessoa fantástica: forte,determinado, amigo do seu amigo...nunca se queixava, nunca estava doente, nunca tinha dor...

Um dia, teve um ataque cardíaco...ali, mesmo à minha frente. Foi a primeira vez que o vi partir...quase!

Felizmente recuperou.

Algum tempo mais tarde, a coisa repetiu-se...e lá estava eu! a vê-lo partir novamente...Falso alarme!

No mês de Novembro do ano 2002, estava eu a trabalhar até mais tarde, há vários dias, (fechava-se a conta de gerência, um pandemónio!). Nunca saía do trabalho antes das 19:30, 19:45...Naquele dia, tinha alguma coisa que me perturbava...Um pressentimento, uma ânsia...

Eram 18:30 e eu fui embora:

"Por hoje chega, vou para casa! Amanhã continuamos."

Fui.

Ao chegar a um determinado ponto do meu percurso para casa, vejo um aglomerado de pessoas, um carro no meio da estrada, uma ambulância...

E o meu Pai, no chão, ensanguentado, imóvel...tinha sido atropelado.

Na altura não imaginei, ou talvez sabia e não quis admitir, que estava morto.

Corri para ele, chamei-o, mas ele não respondeu...nunca mais respondeu...

Percebi nessa altura, e por todos os acontecimentos anteriores, que estava destinado a que eu o visse partir.

Talvez porque tínhamos uma ligação tão forte...talvez porque éramos tão iguais...talvez porque...

Porque tinha que ser!

Não esquecerei jamais a última imagem daquele ser tão querido, uma imagem hedionda, tão diferente daquela q que eu estava habituada a ver.

Hoje, passados quase quatro anos, tento compreender o porquê.

Ainda não consegui, e vivo atormentada, pelas recordações e pela saudade. Pela dor da perda, pelo destino que me obrigou a ver um quadro tão penoso.

Tento lembrá-lo por tudo aquilo que ele era...às vezes consigo, outras não...a maior parte das vezes não.

Uma coisa sei: o nosso destino está traçado!

Às vezes fintamo-lo, às vezes não.

Mas raramente conseguimos fugir dele.

Bem hajam!

 

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publicado por picarota310172 às 00:10
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