Quinta-feira, 30 de Novembro de 2006

Que raio de vida!

Sou por natureza uma pessoa bastante destemida em relação à vida...

E sou forte de espírito! Capaz de aguentar grandes balanços e de me manter sempre de pé!

Mas por vezes quebro e fico diminuída, amedrontada...

Hoje foi um desses dias.

Estava eu pacientemente a aguardar a minha vez para uma consulta médica, e pus-me a observar o que estava à minha volta.

Pessoas, muitas pessoas. Pessoas jovens, pessoas de meia idade e pessoas velhas; velhas e doentes.

Chamou-me à atenção em particular uma velhinha que lá chegou, sozinha, apoiada em duas bengalas, mal podendo levantar os pés...arrastava-se!!

Levantei-me para lhe dar o meu lugar e ela lá se sentou, muito a custo.

Reparei que tinha as pernas de um tom arroxeado, doentio...e a cabeça tremia mesmo com o resto do corpo imóvel.

Senti um arrepio percorrer-me o corpo todo e pensei no quão injusta é a vida!

Aquela mulher, que provavelmente será a esposa, a mãe, a irmã, a tia, a avó de alguém, estava ali SOZINHA!!!

Trazia na mão uma pequena bolsa (um porta documentos) que mal conseguia carregar para se poder apoiar nas ditas bengalas.

Foi chamada para o consultório e saíu com uma data de papéis no pouco espaço livre de mãos que tinha.

A funcionária lá lhe carimbou as receitas e deu-lhe uma requisição para um hemograma para ela ir entregar no laboratório, que é no outro extremo do hospital!!

Aproximei-me da velhinha e perguntei-lhe se ela queria que fosse eu ao laboratório por ela.

Ela respondeu que sim e ficou muito agradecida.

Fui, fiz a marcação das análises e voltei para lhe entregar a requisição.

Mais uma vez a velha senhora se desfez em agradecimentos e lá se foi embora.

Fiquei ali a vê-la afastar-se...e juro que senti medo!

Medo da velhice, medo da dependência de um benfeitor, medo da incapacidade...

Bolas, tive vontade de chorar!!

Não tenho medo de morrer, não é a morte que me assusta...é a velhice, a doença, as duas coisas juntas ou até mesmo cada uma por si só.

Felizes daqueles que têm quem os ame, quem os cuide, quem os acarinhe...

Aquela velhinha por certo não tinha...

E doeu-me...

Por ela e por todos os que chegam àquela situação.

Que raio de vida!!

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publicado por picarota310172 às 15:43
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