Terça-feira, 24 de Outubro de 2006

Histórias de sempre...

 

Esta é uma história que o meu querido paizinho contava...

Havia, há muitos e muitos anos, determinado sítio, algures no mundo, em que as pessoas, homens e mulheres, ao atingirem uma certa idade eram levados para um monte, pelos filhos, para aí morrerem.

Naquele dia, o filho levava o pai para o monte. Este último caminhava, pesadamente... os longos e árduos anos de trabalho a curvarem-lhe as costas para a frente...

Chegados lá, o homem mais novo tirou do saco que levava ao ombro uma manta e entregou-a ao mais velho: "Para te aqueceres nas noites mais frias", disse.

Então, o pai deste pegou numa navalha que trazia no bolso, rasgou a manta em dois pedaços, e entregou-lhe uma das partes.

Surpreendido com aquele gesto perguntou: "Para que fizeste isto meu pai?"

Ao que o sábio homem lhe respondeu: "Guarda-a meu filho; daqui a alguns anos será o teu filho a vir deixar-te aqui e assim já tens manta para te agasalhar".

 

 

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publicado por picarota310172 às 00:34
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1 comentário:
De carlos a 25 de Outubro de 2006 às 11:28
Infelizmente esta história de sempre, é de facto de sempre, e cada vez mais. Esquecemo-nos completamente que os novos de hoje, se não ficarem entretanto pelo caminho, serão os velhos de amanhã. E, como tal, também eles sujeitos ao abandono, e à necessidade de uma manta para se aquecerem. Manta que simboliza a falta de carinho a que a maior parte dos idosos está votada. Andamos demasiado ocupados a tratar da nossa vida, numa correria louca, a maior parte das vezes à procura de bens materiais, que esta sociedade cada vez mais nos vai impondo, que aceitamos inconscientemente, e que mais não são que isso mesmo: bens perecíveis, que nos dão picos de alguma felicidade, mas que no entanto se desvanece rapidamente, sempre que nova solicitação é ditada pelas leis imperiosas do mercado.
Deixamos de ter tempo para pensar naquilo que é na realidade importante e que nos dá alegria verdadeira. Na minha perspectiva, confundimos frequentemente felicidade com alegria. A felicidade é temporal e resulta de um qualquer estímulo momentâneo, e que o próprio passar do tempo vai atenuar e fazer desaparecer completamente. Até que novo estímulo apareça novamente. É esta vertente que a nossa sociedade hoje, explora até à exaustão, com uma oferta infindável de bens materiais. Que no fim para nada servem e que jogamos ao lixo. A alegria é contínua, é um estado de alma, uma forma de estar na vida, independente de estímulos momentâneos. Incongruentemente, podemos sentirmo-nos tristes com alguma coisa que nos aconteceu, e apesar dessa contrariedade continuarmos com a nossa interioridade alegre.
E o que dá alegria às nossas vidas, sem dúvida, que são as pessoas que nos rodeiam. Os nossos pais, os nossos filhos, os nossos familiares, os nossos amigos. O que dá alegria às nossas vidas é o reconhecimento que deles fazemos, enaltecendo as suas virtudes, entendendo as suas falhas e limitações. É o facto de eles saberem que podem contar connosco quando estão de alguma forma diminuídos, que estamos atentos e lhes prestamos atenção. Que, no caso dos pais, eles fizeram a sua vida em prol de nós próprios, e que lhes estamos inteiramente reconhecidos, indiferentemente das suas falhas próprias de humanos.
Sem qualquer dúvida que na fase da decrepitude, eles, tal como nós, irão precisar de uma manta de carinho e de compreensão. É por este entendimento, que gostei muito desta história de ontem, de hoje, de todos os dias. Uma história de moralização de que hoje estamos todos falhos.



Carlos


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